#7 - Qual será a reação?




Eu o abracei com todo o carinho e afeto. Esse garoto é realmente de mais. Pena que só vou ve-lô poucas vezes. Isso se eu conseguir ve-lô e se ele lembrar de mim. Somos amigos agora, mas do futuro ninguém sabe.

Eu: É você -disse enquanto o abraçava-.

Eu o olhei nos olhos e ele me olhou surpreso. Dei um beijo em sua bochecha direita e atravesei a rua sem olhar para trás -e nem para os lados como sempre-.

Nem acredito que contei o que sentia. Não adiantou de nada ter contado agora, mas me aliviu. Agora ele sabe que mesmo o amor dele não sendo correspondido pela Maria, existia alguém que o amava.

Flash back Off


Infelismente o Solsa mudou. Ficou mais bonito e mais metido.
Nem acredito que meu melhor amigo. Eu sinto muita falta da época que ele era o magrelinho que me contava segredos e que me sedia seu ombro quando eu estava triste, de quando nós iamos para a praça jogar futebol ele me levantava depois de levar aquele tombo. Sinto falta da época que iamos comprar sorvete e ele sempre comprava de morango e eu te flocos, ele sempre pedia um pouco do meu. Meu melhor amigo agora me faz sentir raiva. Parece ser uma raiva boba, mas nós dois somos difíceis de lidar um com outro, já que ambos mudamos muito.

Tiago: Niiiiiiiiiiiiiiiiiiina! -gritou me fazendo sair de meus devaneios-
Eu: Tá brincando né? - sorri sem graça-
Tiago: Eu sei que você não vai com a cara dele, mas quando eramos crianças vocês eram super amigos.
Eu: Eu não lembro da aparencia mas lembro do que eu vivi e eu sei muito bem disso -disse decepcionada-
Tiago: Calma cara -tentou me acalmar-, vocês ainda podem ser amigos caramba!
Eu: Ele mudou, Tiago. Eu mudei. Não seria a mesma coisa -disse cabisbaixa-
Tiago: Nina -disse se levantando e se sentando ao meu lado no sofá- Vocês eram ótimos amigos e ainda podem continuar sendo.
Eu: Qual a parte do "Nós mudamos" você ainda não intendeu Tiago? -Disse me levantando e indo até a janela da sala-
Tiago: Eita! Eu só estou tentando ajudar -disse rindo- Quando você está triste é difícil consolar em. Nossa!
Eu: VAI PRO INFERNO! EU NÃO ESTOU TRISTE SEU IDIOTA! VAZA DAQUIIIIIIIIIII! -disse com toda a raiva que estava no momento-
Bea: Tiago, volta depois -disse cochixando-
Tiago: Iiiiiiih! Já estou indo -disse fechando a porta quando saía-
Eu: Garoto babaca -me joguei no sofá e enterrei meu rosto na almofada-
Bea: Calma garota, porque você tá tão triste?
Eu: Essa besta era meu melhor amigo. Hoje eu o odeio. É isso que me deixa triste Bea.
Bea: Calma prima -se sentou do meu lado no sofá e me abraçou- Tenta esquecer essa época e tenta conviver com ele agora, do jeito que ele está.
Eu: E tem como? -me soltei de seus braços-
Bea: Claro que tem prima.
Eu: Hurg! -fiz um som de raiva com a boca- Ele nem deve lembrar de mim. Eu fui tão amiga dele, gostava tanto dele, me lembro de tudo. Ele nem deve lembrar mais de mim. Isso também me dá raiva.
Bea: É isso faz diferença? Você tem que aprender a gostar dele do jeito que ele está.  Porque você não conta pra ele que você é você?
Eu: O que? -disse con uma sombrancelha erguida e com cara de dúvida-
Bea: Porque você não conta que você era a Samanta?
Eu: Pra que? E porque eu tenho que gostar dele do jeito que está se ele também não vai com a minha cara?
Bea: Vocês podem conversar pô! Nina, para tudo tem um jeito e você se dando bem com ele, vai ser menos um mala no seu pé.
Eu: Você tem um bom argumento -fiz cara de pensativa-. Tá. Eu vou falar com ele. Quero ver a reação dele.
Bea: Isso!

Me levantei e fui em direção a porta da sala. Desci as escadas correndo e quando cheguei no portão de dentro, me lembrei que não sabia o endreço no Max. Subi, abri a porta rápido e do mesmo jeito fechei. Pulei as costas do sofá caindo sentada nele.

Bea: Ué, o que ouve? -disse vindo da cozinha secando um capo-
Eu: Burra! Hurg! -disse com as mãos na cabeça-
Bea: O que foi menina?
Eu: Você sabe onde essa peste mora Bea?! -lhe fiz uma pergunta retórica- EU-TAMBÉM-NÃO! -disse com raiva-
Bea: Pergunta ao Ti... Tiabruuuu -interrompeu a frase com sua gargalhada escandalosa-
Eu: Beaaaa! -tentei faze-la aparar de rir-
Bea: Des... desculpa prima -disse se recompôndo- Pergunta ao Tiago. Eles são amigos desde sei lá quando. Com certeza o Ti vai na casa dele sempre. Ele sabe onde é.
Eu: Ti? -disse meio surpresa-
Bea: "Tiago" é um nome grande. Mas enfim... Fala com ele.
Eu: Mas eu o espulsei daqui.
Bea: Ai que menina difícil.
Eu: Tá, tá eu vou lá -disse abrindo a porta-
Bea: Boa sorte!
Eu: Valeu!

Eu fechei a porta e estranhei um pouco o "Boa sorte" da Bea, mas agradeci. Desci as escadas e fui no prédio ao lado, que é onde o "Ti" mora (só minha prima mesmo). Eu passei pelo portão de fora e quando ia passar pelo o portão de dentro do prédio do Tiago dei de cara no peito do Max -de novo-.
Eu o olhei de cima a baixo e ele fez o mesmo. Me afastei e não disse nada. Não queria contar a ele na quele momento. Sei lá o que eu senti, mas foi estranho. Não era o momento.

Max: Não vai pedir desculpas dessa vez?
Eu: É claro que não! Você não merece minhas desculpas. Agora sai da minha frente.
Max: Não antes de você me dizer onde vai -cruzou seus braços na frente da entrada-.
Eu: Não estou acreditando nisso -pensei alto- Isso não é da sua conta. Não te devo satisfações Max. Agora saí da minha frente.
Max: Não. Onde você vai? Quando você me disser eu saio.
Eu: Na casa do Tiago satisfeito com a resposta? - revirei os olhos-
Max: Mal o conhece e já tá se metendo na casa do Tiago? -debochou-
Eu: Garoto não se mete na minha vida -tentei passar por ele-
Max: Quando você vai deixar de ser marrenta em? -disse me empurrando para tras-
Eu: Quando você sair da minha vida -dei-lhe uma joelhada no p.... dele-

Quando ele se abaixou se contorcendo de dor eu aproveitei para passar e subir.

Eu: Nem parece o Solsa de antigamente -disse só para mim enquanto sobia-

Cheguei no terceiro andar e deduzi o número do apartamento do Tiago, pela localização, das janelas.
Minha avó mora do 304, então ele devia morar nesse número também. Toquei a campainha do número 304 e o Tiago atendeu. De início ele não me deixou entrar, mas entrei após pedir desculpas. Entrei e deitei em seu sofá. Eu sei que eu o conheci a poucos dias, mas ele é legal e nós já fomos amigos.
Ele não mora sozinho. Mora com seu tio e um primo, que são o motorista do carro e o garoto que sentou junto a ele na caçamba no carro no dia do afogamento. Quando eu cheguei perguntei se tinha alguém em casa. Ele disse que não e, que não iria ter a noite toda, então eu pude ficar mais avontade na casa.

Tiago: O que veio fazer aqui? -se sentou no sofá de dois lugares, já que eu me deitei no de três-
Eu: Eu vim pedir o endereço do Max -disse colcado meu braço direito em baixo da cabeça-
Tiago: Pra que?! Você odeia ele.
Eu: Tiago, eu já disse que eu me lembro das coisa. Eu só queria contar a ele que eu era a Samanta.
Tiago: Hum... Mas ele acabou de descer. Ainda não sei como não se esbarraram -disse se deitando no outro sofá-
Eu: E quem disse que nós não nos esbarramos?
Tiago: Ué... Você cheguou aqui sem reclamar, chingar...
Eu: Tiago, eu dei um chute no... no... "você sabe oque" dele antes de subir. Não podia estar mais feliz -disse sorindo-
Tiago: Garota você é maluca?! -disse se sentando no sofá -
Eu: Claro que não -disse me sentando- Talvez só um pouco -ri-
Tiago: Meu deus... -taquei lhe uma almofada-
Eu: Calma cara! Ele tá bem. E eu só fiz isso porque ele me empediu de subir.
Tiago: Você é louca - jogou uma almofada em mim-

-diiin dooon 

A compainha tocou e o Tiago foi atender. Eu peguei a almofada que o Tiago tinha me tacado e coloquei perto do braço do sofá e me deitei colocando minha cabeça nela. Educação? Desconheço. Brincadeira, mas... Ah! Dane-se!

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