#10 - A reconciliação
Max: PARA DE GRITAAAAAR!
Eu: Toma logo esse sorvete -destroquei os potes-
Max: Porque teima tanto que eu tome esse sorvete? O que você colocou nele?
Eu: Ele tá me zoando né? -disse olhando para o Igor que mexeu os ombros-
Max: Responde!
Eu: Você ficou aqui na mesa o tempo todo. Como eu ia colocar alguma coisa no MEU sorvete
o qual EU estava comendo antes de te oferecer? -disse tentando não me estressar e tentando explicar a ele-
Max: Sei lá! Não sei como o Houdini fazia.
Eu: Você é inacreditável! Olha óh -enchi a colher de sorvete de flocos e enfiei na boca-. Viu? NÃO-TEM-VENENO! Satisfeito?
Max: Se não tem veneno, por que você queria me dar o de flocos? -me olhou como se fosse um envestigador num enterrogatório-
Eu: Porque eu sei que você gosta de flocos. Você, que é idiota desde pequeno, sempre comprava de morango. Mas não tinha dia que você não me pedia um pouco do meu. Que era sempre de flocos. E como nós não nos falamos muito bem, você NUNCA que ia pedir um pouco do meu. Pra você não desperdiçar seu dinheiro a toa, eu queria trocar com você e eu também gosto de morango. Viu? Eu só estava tentando ser simpática, mas acho que com você não tem como não. Desconfiado de tudo.
Max: SERÁ QUE VOCÊ NÃO PERCEBEU QUE EU NÃO SOU COMO ANTIGAMENTE? -se levantou e se apoiou na mesa ficando cara-a-cara comigo-
Eu: VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? -me levantei e me apoiei na mesa do mesmo jeito que ele- JÁ DISSE QUE VOCÊ FICOU MAIS IDIOTA.
Max: EU FIQUEI MAIS IDIOTA? QUER DIZER QUE VOCÊ ME ACHAVA UM IDIOTA? UM DIOTA QUE VOCÊ ADORAVA NÉ?
Eu: É verdade -fiz cara de quem lamentava- Você não era idiota. VOCÊ-É-UM DIOTA!
Igor: Ooooonwt! Que bonitinho -disse nos olhando deitando na mesa ficando em baixo do arco que formamos ao ficar cara-a-cara-
O Max e eu ficamos olhando para a cara do Igor por alguns segundos e depois recuamos. Os dois. O Igor se sentou novamente e ficou nos olhando.
Igor: Foi uma cena muito bonitinha -fez carinha de anjo-
Eu: Bonitinha vai ficar a cara desse garoto despois de uns belos socos -revirei os olhos com raiva-
Max: Rá! Saí daí garota. Cala essa boca -disse relaxado-
Eu: Garoto, você não me provoca -me levantei empurrando a cadeira para trás-
Max: Se não, vai fazer o que? -se levantou ficando de frente para a mim, mas do outro lado da mesa-
Igor: Ooooooooooooooooooooooooooooh!!! Parou, parou... -nos empurrou para trás- Para com isso gente. Poxa Max, ela já não levantou bandeira branca? -todos se sentaram-
Max: Edaí? Ontem eu fiz o mesmo, mas ela não aceitou. Agora eu sou obrigado a ceitar?
Eu: Igor, ele tem razão -me encostei nas costas da cadeira, cruzei os braços e olhei para o lado-
Max: Viiiiiiiiu? -disse apoiando seu cotovelo na mesa e apontou para mim com a palma da mão para cima-
Igor: Você também não é fácil em, Nina.
Max: Ela é que é a idiota.
Eu: Aii... cola a boca -coloquei a mão na testa-
Igor: Agora um abraço para se desculpar.
Eu: Tá brincando né? -ri me desencostando da cadeira-
Max: Não somos mais criançar.
Igor: ENTÃO PAAAAREM DE SE COMPORTAR COMO UMA! Droga! Eu vou embora. Cansei da palhaçada de vocês dois -se levantou se preparando para ir-
Max: Palhaçada? -riu-
Igor: Palhaçada sim. Pra mim já deu. Fui -saiu andando a caminho de casa-
Max e eu ficamos sentados lá sozinhos na sorveteria enquanto viamos o Max indo embora.
O Max que estava de costas para rua, teve que se virar para ver o Igor ir. Quando se virou de volta ele olhou para minha cara e revirou os olhos -e eu também-.
Eu: Não vai ir embora não? -levantei uma das sombrancelhas-
Max: Não cansa não?
Eu: De você? Já cansei.
Max: Você não cansa de discutir comigo? Caramba que saco isso.
Eu: Canso, mas você não me desculpa nunca. Eu não vou ficar correndo atrás de você pedindo desculpas.
Max: Hum... Se você me pedir desculpas só mais uma vez, eu aprendo a conviver com você.
Eu: QUE? Você é ridículo cara. Na boa. É o tempo todo tentando me humilhar. Não vou te pedir desculpas coisa nenhuma -me levantei e quando eu ia ir embora o Max segurou meu braço esquerdo-
Max: Tá. Espera aí -se levantou ainda segurando meu braço e ficando de frente para mim- Não precisa pedir desculpas -olhou em meus olhos-
Eu: Não preciso mesmo -olhei para o lado-
Max: Caraca! Você não facilita mesmo. Que bosta -me soltou-
Eu: Tá -sorri- A gente pode pelo menos tentar voltar a ser amigo. Sem humilhações. Das duas partes.
Max: Tá -pensou- Pode ser -estendeu a mão-
Eu: O que é isso? -olhei sua mão-
Max: Aperta. É um trato. A gente tenta conviver juntos mais uma vez, sem humilhações, chingamentos e... e... Não podemos esconder nada um do outro. Se você cansar e não "aguentar" conviver comigo, me fala e vice e versa. Pode ser? -continuou com a mão estendida-
Eu: Você vai deixar de ser chato? -sorri-
Max: Aaaai! Como assim chato, garota? -colocou as mãos na cintura-
Eu: Vai parar de tentar se mostrar na frente dos seus amigos. Porque isso é muito ridículo.Tipo, para de tentar ser sempre o melhor.
Max: EU-NÃO-TENTO-ME-MOSTRAR!
Eu: Tá tá! -apertei sua mão-
Max: Agora podemos ir embora?
Eu: Não tô te segurando -cruzei os braços-
Max: Putz grila mané... Pediu para ser chata e abusou legal -cruzou os braços-
Eu: Né -ri-
Max: Já que é assim eu vou sozinho então -se virou e deu alguns passos adiante-
Eu fiquei parada em pé em frente a sorveteria vendo o Max ir embora e prendendo o sorriso que estava doido para aparecer estampado em meu rosto. Não sei o porquê do sorrisinho bobo, mas só sei que ele queria mesmo aparecer. Queria que todos o vissem.
Eu sei que estou falando do meu sorriso, mas é que nessas situações (que não são comuns) ele tem vida própria.
[...]
Quando estava me virando para sair da sorveteria eu dou de cara com o Max, que me puxa e sai andando.
Eu: O que você está fazendo? -disse sendo arrastada por ele-
Max: Vem cáaaa... -me arrastou até a calçada me dando um forte abraço- Você não sabe o quanto senti sua falta espiãnsinha verde úuuuuuuum...
É. O Max, aquele Max me dando um abraço e dizendo que sentiu minha falta. A verdade é que, nem eu estava acreditando no que ele estava fazendo.
Eu do jeito que sou morrenta, chata, fria, durona, senti falta dele também. E não foi pouca não. Esse garoto é muito especial para mim. Desde quando eu o conheci ele se tornou especial. E acho que pra ele eu também sou especial. De uma forma irritante, mas especial. Bom, assim ele demonstrou.
Eu: Ai Max... - tentei me soltar do abraço-
Max: "Ai" nada. Ninguém mandou ficar tanto tempo longe de mim, minha chata -continuou a me apraçar-
Eu: Também senti sua falta -sussurei-
Max: Você não sabe como eu precisei de você Sam -me soltou, segurou minhas mãos e me deu um beijo na bochecha- "Vambora" -segurou apenas uma das minhas mãos e me puxou-
Eu não consegui dizer mais nada. E sabe aquele sorriso que estava querendo dar uma de Max? Então, ele ficou no meu rosto por muito tempo. Se livrou da minha frieza e ficou como uma pintura de carnaval no meu rosto, bem visivel.
Na volta, quando estávamos no meio do caminho, vimos o Igor sentado no meio fio da calçada com dois meninos. Um deles era o Rafael -amiguinho do Max- e o outro eu não sabia quem era.
Igor: O que é isso? - disse se levantando e vindo em nossa direção-
Max: O que foi Igor? Por que está com essa cara de assustado -disse se espantando com a cara de Igor-
Antes de ver o Igor vindo até nós, estávamos rindo de uma lembrança que tivemos do nosso passado. Isso nos aproxima mais.
Igor: Como assim o que foi? A meia hora atrás vocês estavam quase se pegando na porrada e agora estão aqui rindo e de mãos dadas.
O Igor olhou nossas mãos e quando percebemos que ainda não haviamos nos soltado, nos espantamos e soltamos as mãos.
Eu: Igor, mas não era isso que você queria?
Igor: É... era isso. Só não achei que seria não rápido assim.
Max: Ah cara, vimos que não vale a pena ficarmos brigando o tempo todo, né Nina? -Me olhou sorrindo-
Eu: É mais ou menos por aí -sorri e dei um beijo na bochecha do Max-
Igor: Então... tá né -fez cara de confuso-
Eu: Então gente, tenho que ir... Bom, não tenho que ir, mas eu quero -ri- Fui! -sai andando-
Max e Igor: Tchau!
Igor: Nos vemos amanhã?!
Sim: SIM! -sorri sozinha-
Respondi e continuei andando de volta para casa. O dia até que foi divertido. Sem tirar as discuções, porque eu acho engraçadas as dicuções que tenho com o Max. É eu sei... sou meio louca.
Chegando em casa NÃO TINHA NINGUÉEEEEEM!!!! Me joguei no sofá e peguei o controle da TV, apertei o botão "Power" para ligar e adivinhem... Não tinha energia. É, acabou a luz. Que ótimo, não? Sem internet, sem luz, sem companhia e sem créditos. É, sem créditos também. Acabou quando estava mandando mensagens para o Igor, mas enfim. Já que eu estava com um pouco de problema, resolvi ligar para o Tiago do meu celular, mas quando meti a mão no bolso e peguei o celular, estava completamente sem bateria. O bichinho sequer ligava, então fui até o telefone e segurei o gancho contra o ouvido e quando ia discar os números, me lembrei que não tinha para quem ligar. Todos os números de familiares e amigos estavam anotados na agente do celular e como ele esta sem bateria... estou sem contato.
Nesse momento me senti ilhada. E para não me sentir sozinha (acho que de qualquer jeito eu me sentiria sozinha, mas tudo bem), desci e fui comprar velas. As ruas estavam quase escuras. Eram 18hs no horário de verão, então ainda estava claro.
Passei em vários armarinhos, mercadinhos e em um monte de lugar, mas não achei velas em nenhum deles, até que lembrei que tem um supermercado. Esperei o ônibus no ponto dele e quando ele chegou eram mais ou menos 18h40 da noite e cheguei no supermercado as 19h10. Procurei velas em todos os setores, mas estava em falta. Corri para o ponto de ônibus e peguei o ônibus de volta. Cheguei 19h30 na rua dos mercadinhos e estavam todos fechados. Já que estava escurecendo, os comerciantes fecharam sua lojas para não ter riscos de arrastão. Então voltei para casa antes que fosse assaltada. Na volta, dei de cara com o Tiago e mais um garoto, que eu não sabia quem era.
Eu: Atéeeeeee que enfiiiiiiiiiiiiiiiiim!!! -o abracei-
Tiago: Eyeyeyeye!!! -me retribuiu meu abraço- Por que está me abraçando? -me soltou e me olhou estranhando meu ato-
Eu: É... então... Tô afim de ficar sozinha na quele apartamento não -fiz carinha de anjo-
Tiago: Ué, sozinha?
Eu: Sim, a Bea, minha avó e a tia Ana foram para uma tal festa aí que eu não quis ir e vão dormir na casa da aniversáriante hoje.
Tiaho: Aaaanm... Ah, esse é o Victor, meu primo ou...
Eu: Oliveira... -o interrompi- Lembra de mim? -sorri para o Victor-
Victor: Desculpa, mas não... -sorriu-
Eu: Nossa. Não fui mesmo importante nesse grupo -cruzei os braços e olhoi para o lado-
Tiago: Victor, ela é a Samanta -olhou para o Victor-
Victor: Aaaah, prazer samanta -estendeu a mão e sorriu-
Tiago: Não, idiota! O nome dela é Nina -botei em seu braço o empurrando para baixo-
Victor: Mas você acabou de falar que ela se chama Samanta!
Eu: Eu me chamo Nina. Samanta era, vamos dizer assim, meu apelido de infância.
Victor: Aaaanm... Intendi.
Tiago: Victor, lembra aquela garota que a gente andava quando tinha oito/nove anos?
Victor: Só me lembro de três garotas que andavam com a gente nessa época, a Madu, a Lorena e a.... a.... A cara esqueci o nome dela -cossou a cabeça-
Tiago: Essa aí que você esqueceu o nome é a Samanta.
Victor: É... O que tem ela?
Tiago: Hurg! -deu um tapa na cabeça de Victor- ELA ERA A SAMANTA, MAS O NOME DELAS MESMO É NINA. SAMANTA ERA SÓ APELIDO, IDIOTA!
Victor: Ai ai ai! Caraca -alisou a cabeça onde recebeo o tapa- Intendi, intendi. Bom te rever Samanta -me deu um abraço-
Eu: Nina, Victor. É Nina.
Victor: Ata. Olha, eu me lembro de você. E não é na minha infância -fez cara de pensativo-
Eu: Seu primo me salvou de um afogamento na praia -sorri- Lembra?
Victor: Aaaaaaaanm... Eu lembro sim -sorriu- Hey, você tinha o cabelo diferente quando pequena, não é mesmo?
Eu: É. Era diferente sim -sorri-
Victor: Eu lembro também que você era unha e carne com o Max.
Eu: Er.... Então, Tiago -mudei de assunto- vocês podem me fazer companhia? É que eu não quero mesmo ficar sozinha na quela casa sem lua, internet, crédito e bateria.
Tiago: Nossa! -riu-
Eu: Tiago! Não tem graça -fiz biquinho-
Victor: Pode ficar na nossa casa. Nosso tio resolveu ficar mais tempo na casa do vovô -sorriu-
O Victor é mais novo que eu un ano. Mas isso não diferencia em nada. Ele é charmoso, inteligente, bonito, mora na casa de um primo bonito, a única coisa que estraga é ele ser meio lerdinho.
Eu: Pode Tiago? -o olhei meio sem graça-
Tiago: Pod... -foi interrompido pelo o Victor-
Victor: Claro que pode -sorriu-
Eu: Está bem então -sorri para o Tiago que estava com cara de bravo pelo Victor ter tomado as decisões sozinho-
Andando lentamente por aquela rua deserta, fiz uma pergunta ao Tiago que me respondeu positivamente. Perguntei se podiamos chamar a Lorena, a Madu o Max e Igor.
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