#4 - Essas coisas só acontecem comigo.



Lavei meu rosto e fui em direção a sala. A Bea estava sentado no sofá e minha avó também. Todos já haviam almoçado, até minha tia Ana que nem fica em casa direito.

Avó: Só dorme garota? Vai pra rua fazer alguma coisa.
Eu: Vó, eu estou de férias e férias é para se descansar. E é isso que eu estou fazendo.
Avó: Come logo. A comida está pronta uma hora e meia. Vai comer comida fria ou então ponha sua comida no prato e esquente no microondas. Não vou esquentar tudo de novo.
Eu: Tá bom vó. Já sei " Apressado come crú e atrasado come gelado."
Avó: É isso aí. Agora vai comer. Anda!

Coloquei minha comida no prato e esquentei no mricoondas. Comi, tomei outro banho e me juntei a minha avó e a Bea no sofá. Assistimos um filme estranho que eu nem prestei atenção. Estava empricando com a Bea e estressando minha avó com nossa bagunça durante o filme. 

Após o filme -que durou duas horas-, eu me levantei e fui até a cozinha pegar um copo d'água da geladeira. Quando fechei a geladeira olhei para o relógio da parede que fica a cima dela e vi que já eram 17h30 e que tinha combinado de dar um rolé com o Tiago as 18hs.
Bebi minha água e fui me vestir para sair com ele. Já estava de banho tomado, só me faltava a roupa.

Me vesti com uma calça cumprida jeans e uma blusa preta de alça fina e decote. Usei um tênis de cano longo preto estilo sneek, mas sem salto. Fiz um robo de cavalo, coloquei uma pulseira vermelha de courinho, para combinar com os detalhes vermelhos do tênis.

Olhei o relógio eram 18h10. Estava dez minutos atrasada. Desci as escadas correndo e vi o Tiago sentado de cabeça baixa num banco que fica do outro lado da rua. Nessa rua quase não passa carro, então atravessei sem olhar. Parei na frente dele e disse "oi", ele se levantou me deu um beijo em cada bochecha e eu o retribuí. 

Saimos andando pela rua e fomos em direção a praça que eu costumo ficar. 

Tiago: Agora vou te apresentar aos meus amigos  - disse no meio do percurso-
Eu: Okay -sorri-

Quando chegamos na praça tinham dois meninos e duas meninas sentados naquelas mesas quadradas de pracinha que tem quatro banco.

Tiago: Fala aí galera! -o cumprimentaram- Essa aqui é a Nina. 
Eu: Oi gente! -dei um beijo na bochecha de cada um-
Tiago: Essa aqui é a Lorena, -pontou- essa é a Maria Eduarda, esse é o Victor e esse é Igor. 

Apertei a mão de cada um. Virada de costas, o pessoal olhou para tras de mim como  se viesse alguém em nossa direção. Olhei para tras e levei um susto.

Max: Você aqui?! -se espantou quando me viu-
Eu: Caramba garoto! Tá me seguindo?!
Tiago: Vocês se conhecem de onde? -disse olhando para mim e Max-
Max: Essa garota é uma sem educação que eu esbarrei na rua!
Eu: Epa! Sem educação não. Tenho educação sim. Se não tivesse não pediria desculpas pelo esbarrão ontem. 
Max: Tiago, você tá saindo com essa garota?!
Tiago: De certa forma sim. Vamos no cinema e depois vamos dar uma volta -deboxou-
Max: Você tá ficando com ela?!
Eu: -me entrometi- Não tá vendo que ele tá? -cheguei mais perto do Tiago-
Max: Não se mete!
Eu: Garoto, você tá parecendo um gay pedindo satisfação a um namorado. Deixa disso. O que tem ele sair comigo?
Tiago: É. O que tem eu sair com ela? 
Max: Essa garota é uma ignorante, sem educação e parece um garoto.
Eu: Você está falando de mim ou de você? -sorri com sarcasmo-
Max: Eu disse que é uma garota que parece um garoto. É claro que é você.
Eu: Mas você também PARECE um garoto -o provoquei-
Tiago: Olha só, quem não se dá bem com ela é você. Eu me sinpatisei com ela.
Max: Vai trocar uma amizade de anos por causa de uma menina que se comporta como um garoto?
Eu: Max, para de graça. Porque essa implicância toda comigo?
Max: Não gosto que tirem onda comigo. -falou sério-
Eu: E nem eu. Você só tá assim porque você tentou me esculaxar na frente dos seus amiguinhos e eu não  deixei -falei olhando em seus olhos- Quer saber? Eu vou no cinema sozinha -sai andando Tiago veio atras de mim-
Tiago: Peraí! -ele gritou, eu parei e esperei ele me alcançar-
Eu: Fala.
Tiago: Não vamos mais juntos?
Eu: Cara, é melhor deixar pra depois. Vou ficar muito tempo aqui ainda. Vai lá conversar com seu amigo. Não quero que ele fique sem falar com você por causa de uma coisa que ele tem comigo.
Tiago: É. É melhor mesmo -pensou melhor e respondeu- A gente sai outro dia.
Eu: Não precisamos nem ir ao cinema. Somos vizinhos por esses dias. Fica mais fácil -sorri-
Tiago: -sorriu- Okay. Amanhã a gente se vê?
Eu: Se você já tiver se resovido com seu amigo... A gente dá uma volta por aqui mesmo.
Tiago: Tá bom então -compreendeu-
Eu: Tchau! -gritei enquanto ele andava-
Tiago: TCHAU! -me respondeu-

Não acredito que aquele garoto vai me impatar logo agora que eu tô conhecendo o Tiago direito. Que droga! 
Eu ainda não intendi o porque dele tentar dar uma de machão comigo. Sabe que não consegue. Sabe que eu o infrento. Não sei porque teima em fazer isso.

Me despedi do Tiago e fui pegar o ônibus que para em frente ao cinema.

[...]

Comprei meu bilhete na bilheteria e entrei na sala correspondente ao bilhete.
O filme teve duas horas e quarenta de duração. Quando acabou, fui ao banheiro e depois fui em bora. 
Peguei meu celular no bolso e eram 22h22. Sai do shopping falando baixinho só para mim "olha que bonitinho. Horas exatas. Será que alguém está pensando em mim? Deve ser o Max planejando minha morte. Garoto chato. Parece um gay cobrando satisfações do Tiago. Afz".
Ainda não me conformei com a implicância dele comigo. Mal me conhece e já fica me julgando. Odeio esse tipo de coisa. Implica comigo, grita, quase me bate e quer ficar falando mal de mim. Idiota!

Esperei o ônibus no ponto onde ele parava e do nada começou a chover. Verão, sempre chove. E chove forte. 
No ponto não tinha toldo. Fiquei encharcada e o ônibus nada de chegar. 
Sentir aquela roupa molhada no corpo já estava me encomodando, pra completar um carro passou encima duma posso gigante que tinha no meio da rua e me molhou mais ainda.

[...]
Depois de uma hora e vinte minutos do ponto de ônibus de baixo de chuva, desisti e resolvi vir a pé.
Dez minutos andando em baixo de chuva forte e longe do ponto de ônibus vi o ônibus passando do meu lado e me jogando mais água. Quando olho para o ônibus que já passou, vejo que era o que eu estava esperando a décadas na quele ponto. Fiquei morrendo de raiva, mas fazer o que? Já era né.

[...]

Antes de subir as escadas do prédio eu torci meu cabelo e sequei as solas dos sapatos no tapete que estava estendido na frente do portão de dentro. 
Teitei não molhar o chão e não fazer barulho, mas como o meu tênis era de pano com solas de borracha, não consegui empedir nenhum dos dois.

Já era tarde então não podia fazer muito barulho. Girei as chaves devagar e entrei em casa. Estava tudo apagado. 
Fui direto para o banheiro. Tirei minhas roupas e deixei em cima da pia. Tomei um banho morno e demorado. Tinha que me desenfetar bem. Terminei, me enrrolei na toalha e fui para o quarto vestir meu 'babydoll'. A Bea estava dormindo e minha tia Ana -que mora aqui também- ainda não tinha chegado.
Acendi a luz do quarto - a Bea só se virou para a parede e cobriu o rosto- me vesti e apaguei a luz. 
Fui dormir com o cabelo molhado mesmo. Não podia ligar o secador e eu estava cansada para esperar meu cabelo secar naturalmente.


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