#1 - Se não aceita desculpas...


1° Dia 
Vim passar as férias de verão na casa da minha avó . Logo que cheguei avistei um grupo de meninos na praça aqui perto. Alguns meninos eram até que bonitinhos. Mas eles são muito metidos, odeio playboysinho.

Chegando na casa da minha avó a comprimentei e fui direto para o quarto da minha prima, que é onde eu dormo quando eu venho para cá.
Meu objetivo é ficar aqui por um mês, dando um rolé, indo no cinema, indo em alguma festa, praia ou simplesmente fazendo droga nenhuma. O que eu quero mesmo é ficar longe de casa. Meu pai enche meu saco quando bébe e minha mãe só quer ter alguém para conversar, mas eu não tenho paciência para ficar ouvindo ela falar do meu pai o tempo todo.

Entrei no quarto e vi minha tia Ana e minha prima Beatriz, que tem a mesma idade que eu.
Quanto eu quero ficar na rua eu chamo ela, mas ela nunca vai. 

Estava morrendo de fome e já estava na hora do lanche, então tomei um banho rápido e pedi dinheiro a minha avó e fui comprar pão na padaria a três ruas daqui. Me vesti com uma blusa com alça nadador atrás e coladinha no corpo da cor cinza e um short jeans, curto como sempre, um tênis e um boné de aba reta que coloquei virado para trás.

Desci e fui andando com o dinheiro no bolso, celular na mão e fones no ouvido. 
Estava andando tranquilamente na calçada olhando para meu celular, -escolhendo a música que eu ia ouvir- quando de repente dou de cara no peito de um garoto quando virava a esquina:

Garoto: TÁ CEGA GAROTA?!
Eu: Foi mal ae. Tava destraida.
Garoto: PRESTA ATENÇÃO EU EM!
Eu: IH GAROTO! PARA DE GRITAR! JÁ NÃO PEDI DESCULPA?
Garoto: DESCULPA?! NÃO ADIANTA MAIS. GAROTA LERDA! -e saiu andando-
Eu: SE VOCÊ NÃO QUERIA ESBARRAR EM MIM DESVIAVA! ASSIM COMO VOCÊ EU TAMBÉM NÃO GOSTEI DE TER ESBARRADO EM VOCÊ! IDIOTA! 

Ele olhou para trás e voltou em minha direção. Fiquei parada olhando para cara dele com uma das sombrancelhas erguidas.

Garoto: Garota, deixa de ser marrenta. Você fala direito comigo -falou calmo, mas no fundo estava nervoso-
Eu: Oi? -falei deboxada e com um sorriso sarcático no rosto- Falar direito com você? Eu trato bem quem me trata bem.-cheguei perto dele e disse cutucando o peito dele com o meu dedo- E o que você vai fazer se eu não falar direito com você? 
Garoto: Grita comigo denovo.
Eu: OQUE - VOCÊ - VAI - FAZER ? -gritei pausadamente-

Nessa hora chegaram dois amigos dele.

Amigo 1: Fala aí Max! 

Ah! O nome dele é Max. Garoto idiota. 
Ele olhou para mim com raiva e não respondeu ao amigo dele.

Amigo 1: Oi! -me cumprimentou-
Amigo 2: Oi! Prazer, meu nome é Breno. -sorri para ele-
Amigo 1: E o meu é Rafael -sorriu para mim e correspondi-

Não me apresentei. Pra quê? Pro meu nome ficar mal falado por causa desse Max? Enquanto os amigos do tal do Max me cumprimentavam ele só me olhava com raiva. Apos os cumprimentos eu olhei para ele e dei um sorriso sarcástico.

O Rafael o chamou e ele os acompanhou porque um tal de Tiago estava chamando para ir na casa dele. 
Eles me deram tchal e foram e eu segui meu caminho. Tava morrendo de fome e aquele garoto retardado fica de onda com a minha cara. 

[...] 

Cheguei na padaria e pedi meia dúzia de pães e um litro de leite, paguei e fui em bora. Dessa vez eu fui pelo o outro lado, que é a rua de baixo. Para não ter risco de esbarrar com o engomadinho de novo.

Subi e fiz meu lanche com aquele pão quentinho. Tava com tanto sono, não eram nem 19hs mas estava cansada então dormi.

2° Dia
Hoje eu não tinha planos, minha prima Bea não curti muito sair comigo, minha prima Caroline não me ligou chamando para algum lugar e meus primos Renan e Rodrigo, não vão   vir para cá essa semana, então eu fui sozinha para praça. Antes de ir tomei um banho gelado, tava e ainda está um calor desgraçado. Me vesti com um short jean (como eu disse, é minha característica), uma blusa apertada azul marinho, um chinelo e um boné preto e azul com aba reta virado para trás como ontem. E como ontem eu estava olhando meu celular e com os fones no ouvido, mas dessa vez eu estava atenta pra não dar de cara com aquele garoto. Mas não adiantou. Quando eu estava descendo a rua eu dei de cara com ele denovo. Eu não esbarrei nele mas levei um belo de um susto e ele também. Dessa vez ele não estava sozinho.

Eu: Ai! Você de novo?! Mas que droga isso em!
Max: Tá fazendo isso de propósito garota?
Eu: Tá maluco garoto?! Eu quero é ficar longe de você. Isso eu faria de propósito e com prazer. 
Max: Então esteja a vontade e vaza da minha área! -apontou como se estivesse me mostrando a saida de algum lugar-
Eu: Que? -olhei bem nos olhos dele com cara de deboxe- Sua área? Você comprou esse lugar? Me mostra o documento, que eu vazo daqui na hora.

Ele simplesmente ficou me olhando com cara de babaca e com raiva.

Eu: Você é um otário mesmo. Garoto Babaca -olhei ele de cima a baixo com cara de desprezo-

Quando eu ia passar entre ele e o amigo dele Rafael ele me empurrou com a mão no meu ombro para trás e me fez ficar de frente para ele de novo.

Max: Olha só, ninguém fala comigo assim, nem uma garota. Não é porque você tira uma de moleque- macho que você pode vir tirar onda com a minha cara. -falou olhando nos meus olhos- Não é só porque você se veste que nem um menininho que você vira um. Se veste que nem macho mas apanha que nem uma garotinha.
Eu: Olha quem tá me falando isso. O garoto que se veste que nem homem e tem atitudes de menina. -cruzei meus braços, falando séria e com uma das sombrancelhas erguida- Garoto, para de falar e faz. Até agora só ouvi ameaça, se você acha que eu sou que nem um garoto, não veio pra cima ainda porque? Você fugiria se fosse um garoto aqui falando com você igual você tá fugindo agora?

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